sexta-feira, setembro 29, 2006

Negociação: Por que todos querem a TIM

Venda da operadora brasileira pode salvar a Telecom Italia e redefinir o futuro da telefonia móvel no país
A Telecom Italia, dona da operadora de telefonia celular TIM, vem chamando atenção por suas decisões erráticas. Suas idas e vindas, porém, nunca surpreenderam como nos últimos dias. Numa única semana, o italiano Marco Tronchetti Provera, presidente mundial da empresa, revirou a estratégia, sinalizou a venda das operações de celular na Itália e no Brasil e, poucos dias depois, deixou o cargo. A mudança previa a separação e a eventual venda dos negócios de telefonia celular tanto na Itália como no Brasil, um movimento antagônico ao esforço de convergência defendido pelo próprio Provera até então. Assim, ele se indispôs, ao mesmo tempo, com uma legião de acionistas e com o primeiro-ministro italiano, Romano Prodi, determinado a manter as operações da TIM na Itália longe das mãos de estrangeiros. Para o posto de Provera, foi alçado o italiano Guido Rossi. Até o fechamento desta edição, não havia um posicionamento oficial sobre os novos rumos da empresa. Mas analistas apostam que a venda das operações no Brasil deve prosseguir, como maneira de aliviar a dívida de 40 bilhões de dólares do conglomerado de telecomunicações italiano, superior ao valor de mercado da companhia. A expectativa é que a venda da TIM Brasil levante pelo menos 8 bilhões de dólares.
Seja qual for a decisão do novo presidente da Telecom Italia, o que ficou evidente nos últimos dias é o enorme poder de atração da operação brasileira -- capaz de despertar a cobiça de empresas como a mexicana América Móvil, dona da Claro, da operadora de telefonia fixa e móvel Brasil Telecom (BrT) e de outras que ainda não estão no país, como a inglesa Vodafone. Tal interesse é baseado sobretudo em dois atributos. O primeiro é o tamanho. A TIM é a única companhia de telefonia móvel com atuação em todo o território nacional. Desde que aportaram por aqui, em 1997, os italianos investiram 8 bilhões de dólares em licenças e infra-estrutura. Não é possível que outra companhia alcance esse tamanho atualmente, exceto pela compra de um concorrente. A TIM é hoje a segunda maior operadora de celular do país, com 24,5% de participação de mercado, e avança rapidamente sobre a primeira colocada, a Vivo. A distância entre as duas empresas é de apenas seis pontos percentuais. Em dezembro de 2005, essa diferença era de 11 pontos. Outro atributo cobiçado é o perfil dos clientes. A companhia possui a melhor receita mensal por usuário do mercado brasileiro -- 30 reais. A média entre as demais operadoras é 26 reais. "A compra da TIM faz sentido para qualquer uma das operadoras de telefonia que atuam no país", diz Jacqueline Lison, analista do banco Fator especializada em telecomunicações.
Os números da TIM
A operadora é a segunda maior empresa de telefonia móvel e a única com atuação em todo o país Participação de mercado - 24,5%
Faturamento - 3,9 bilhões de reais (1)
Investimentos no país - 8 bilhões de dólares (2)
Número de clientes - 23 milhões (3)
Valor de mercado - De 8 a 10 bilhões de dólares
(1) 2005 (2) Desde 1997 (3) Setembro de 2006
Fonte: Empresa
O preço, especialmente nesse caso, será uma espécie de critério de seleção natural do comprador. "Desse aspecto, nenhum candidato se compara à mexicana América Móvil, de Carlos Slim", diz Júlio Püschel, analista do instituto de pesquisas Yankee Group. Slim é o terceiro homem mais rico do mundo e dono de uma extraordinária capacidade de investimento. A compra de uma companhia sau dável, no entanto, seria um ponto fora da curva em sua trajetória. Ele costuma buscar as peças que compõem seu império de telecomunicações na bacia das almas. Foi assim com a Embratel e a antiga BCP, que deu origem à Claro, a terceira maior no mercado de telefonia celular do país. "Abrir uma exceção agora seria um atalho para atingir a tão almejada liderança", diz Püschel. O negócio resultante transformaria o grupo liderado por Slim no líder desse mercado, com 46% de participação -- 16 pontos percentuais acima da atual participação da Vivo.
No caso da Brasil Telecom, operadora de telefonia fixa e móvel baseada em Brasília, a compra da TIM seria uma saída para o impasse de crescimento em que se encontra. "Não temos como crescer daqui para a frente de maneira orgânica", diz Francisco Santiago, vice-presidente de operações da empresa. A operação fica um pouco mais complicada por causa dos problemas internos da companhia. O bloco controlador da empresa -- um grupo de fundos de pensão e o Citigroup -- enfrenta uma interminável disputa societária com outro sócio, o banqueiro baiano Daniel Dantas, do Opportunity. A BrT já tinha um problema porque não havia comprador para os 38% de participação que a Telecom Italia tem na operadora, fatia colocada à venda em abril por cerca de 1 bilhão de reais. Com a possível saída da TIM do mercado brasileiro, o problema se acentua. Além de um desembolso ou um novo sócio para evitar a volta do Opportunity, a BrT precisa arranjar ainda mais capital para disputar a TIM celular. Segundo analistas, a empresa já tem em operação um plano para resolver esse problema: a associação com um fundo de private equity estrangeiro e uma posterior pulverização do capital na Bolsa de Valores de São Paulo (num formato semelhante ao que a Telemar pretende realizar).
E a líder do mercado? O que será da Vivo nessa atual conjuntura? Assim que a possível venda da TIM foi anunciada, um dos nomes apontados entre as compradoras foi o da Telefónica espanhola -- dona de 50% da Vivo, ao lado da Portugal Telecom. A hipótese, no entanto, foi descartada oficialmente pelo próprio presidente do grupo espanhol, Cesar Alierta. Com isso, a venda da TIM Brasil deve acelerar um movimento já esperado pelo mercado -- a compra da participação da Portugal Telecom pela Telefónica na Vivo. As duas empresas enfrentam divergências na condução do negócio. Com o controle da Vivo, a espanhola poderia seguir o caminho de todas as grandes empresas de telecomunicações - integrar as operações de telefonia celular e fixa. Um sinal claro desse empenho foi a nomeação, dois dias após o anúncio da possível venda da TIM, de um novo presidente do conselho para a Vivo, Manoel Amorim, que presidiu a Telefônica no Brasil e depois passou a trabalhar na matriz. "Amorim deverá ser o próximo presidente da Vivo, assim que a Telefónica assumir o controle", diz um alto executivo da operadora. É um sinal evidente de que a TIM Brasil, além de ser vital para o futuro da Telecom Italia, vai mexer -- e de maneira acentuada - com toda a telefonia móvel no Brasil.
Fonte: por Cristiane Mano, EXAME
Questão de simples escolha:
Depois de Marco Provera quem assumiu o cargo de presidente da TIM?
a)Manoel Amorim
b)César Alierta
c)Daniel Dantas
d)Guido Rossi
e)Carlos Slim

Questão dissertativa:
No caso da compra da TIM quem estaria em vantagem e por quê?
Carlos Slim por ser o terceiro homem mais rico do mundo e possuir uma enorme capacidade de investimento.

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