quinta-feira, outubro 05, 2006

Líder: Bernardo Rocha de Rezende

Bernardo Rocha de Rezende, 46 anos nasceu no Rio de Janeiro é formado em Economia pela PUC do Rio de Janeiro. Sua carreira de economista não vingou, mas rendeu ao técnico da seleção um estilo peculiar de trabalho. Bernardinho utiliza nas quadras alguns conceitos-chave de gestão corporativa, do coaching ao balanced scorecard (indicadores de desempenho). Suas fontes de inspiração não são apenas as biografias de atletas como Michael Jordan e Muhammad Ali, mas também os exemplos de Jack Welch e outros líderes - entre eles, José Galló e Jorge Gerdau. São pessoas que apesar de terem grande sucesso em seus negócios são humildes e que ensinaram a ele que um líder sempre deve continuar aprendendo.
Ele jogou vôlei de 1979 até 1986 no Rio de Janeiro, conquistou a medalha de bronze na Copa do Mundo, em 81,a medalha de prata no Campeonato Mundial, em 82, e também nos Jogos Olímpicos de Los Angeles, em 84. Era levantador e na seleção era reserva do William. Em 88, parou de jogar e começou a carreira de treinador como assistente técnico de Bebeto de Freitas nas Olimpíadas de Seul. Dois anos depois, treinou a equipe feminina do Peruggia, na Itália, onde ficou até 92. No ano seguinte, ainda na Itália, dirigiu a equipe masculina do Modena. Em seguida, Bernardinho retornou ao Brasil e, em 94, assumiu o comando da seleção feminina, iniciando um de período de vitórias. A partir de 2001 ele aceitou o desafio de comandar a seleção masculina, outro grande período de vitórias.
Creio que há uma equação que descreve bem a trajetória dos grandes campeões: dedicação + talento. Força inesgotável que permite seguir em frente. É a busca constante da capacitação através do treinamento e da grande disciplina.
O talento, também é muito importante. Certa dose é necessária, mas nem sempre os grandes campeões são os mais talentosos. Os campeões são aqueles que conseguem usufruir e desenvolver o dom que têm.
Comprometimento
É necessário comprometimento para uma equipe conseguir ter uma trajetória consistente, e só se obtém ele através dos treinos diários. Ir em busca da excelência constantemente e passar a idéia para os jogadores que todos são peças fundamentais de uma engrenagem.
O esporte nos mostra que não há grandes campeões que nunca tenham sido derrotados. Mas certamente nunca deixaram de tentar novamente, com mais intensidade e de formas diferentes. O que realmente importa em um líder é que sua relação com a equipe não seja artificial de nenhum modo. Não importa o modo que um líder faz para passar informações ou para tirar o melhor de cada um se estiver claro qual a sua intenção.
Bernardinho não acha que existe uma melhor forma de liderar, em um ginásio diante de 10mil pessoas ele é obrigado a gritar e espernear para que consiga passar as informações aos jogadores, o que não acontece em um escritório.
Ele é um líder explosivo sim, mas em momentos chaves nos quais ele percebe falta de concentração ou maior importância ao momento. Mas há momentos aonde ele apenas pede calma, tranqüilidade e passa informações técnicas a seus jogadores.
Estilo Bernardinho em uma empresa
A única diferença entre um líder de uma seleção de vôlei e um líder corporativo é a intensidade da relação. O técnico passa de 6 a 8 meses dormindo no mesmo hotel que os jogadores, a relação é muito mais próxima, o que da direito a uma maior cobrança. Já em uma empresa aonde o líder corporativo encontra um funcionário eventualmente a cobrança não pode ser intensa, pois isso irá apenas desmotivá-lo. A lealdade surge quando se cobra de si mesmo o que se cobra da equipe. Não se pode exigir mais do que se pode oferecer.
Zonas de desconforto
São importantes para que a equipe não caia num relaxamento comprometendo o desempenho. O comprometimento tem que continuar sendo o mesmo, acordar o grupo cada vez mais cedo e terminar os treinos mais tardes fazem parte. Armadilha do sucesso, é quando um campeão cai em relaxamento, pensa que agora que alcançou a vitória não precisa mais treinar intensamente e etc... O famoso salto alto. É muito importante então se comportar e treinar como se você fosse o segundo colocado correndo atrás do primeiro.
Exemplos: Durante a viagem para Atenas, os jogadores ficariam 5 horas parados "descansando". Porém Bernardinho conseguiu um ginásio para eles treinarem, foi um teste para verificar o comprometimento da equipe. Já em Atenas ele realizou um treino no estacionamento ao lado do hotel da seleção, pois o ginásio aonde jogariam estava fechado. Uma boa equipe é aquela na qual se tem consciência de que ninguém é insubstituível. Bernardinho menciona essa frase quando diz que o comprometimento é sempre necessário, deve vim até mesmo do jogador mais habilidoso, senão ele não é mais fundamental. Um jogador que se acha o responsável pelas vitórias pode se tornar o maior responsável pela derrota por falta de comprometimento.
Ferramentas tiradas do mundo corporativo
Bernardinho utiliza o Balanced scorecard adaptado para o vôlei aonde é computado o número de ataques, bloqueios e vários outros quesitos de cada jogador. E o coaching, é fundamental ser um coach efetivo, utilizar a sua experiência e mostrar caminho aos outros.Ele é um dos maiores palestrantes do esporte no Brasil na atualidade passando mensagens de estímulo e auto-ajuda.
Fonte: Entrevistas da revista Veja e revista Amanhã

Questão de escolha simples:
Qual foi o campeonato que o Bernardinho conquistou, como técnico em 2002, que faltava para a seleção brasileira?
a) Campeonato Sul-Americano
b) Campeonato Mundial
c) Copa América
d) Jogos Pan-Americanos
e) Jogos Olímpicos

Questão dissertativa:
Para que Bernardinho cria zonas de desconforto em seu grupo?
Resposta esperada:
Para que a sua equipe não caia em relaxamento comprometendo o bom desempenho que ela vem obtendo até hoje.

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