quarta-feira, outubro 04, 2006

Negociação: Ônibus 174

Vieses no processo de tomada de decisão que prejudicam a negociação eficaz.
Escalada irracional do comprometimento
As pessoas se atem a um curso de ação previamente selecionado, apesar de a análise racional não recomendar tal procedimento. Sandro, apesar de somente tentar assaltar o ônibus, foi desde o início cercado pela polícia, o que implicou, naquele momento, num seqüestro, já que ele não se entregou e portava uma arma.
Mito do montante fixo
As partes envolvidas numa barganha (negociação) presumem que o ganho de uma tem de estar vinculado à perda de outra.
Ancoragem e ajustes
As pessoas apresentam a tendência de fixar seus julgamentos em informações irrelevantes, como uma oferta inicial. O negociador eficaz não permite que um âncora inicial minimize a quantidade de informações e a profundidade de análise que ele utilizará para avaliar a situação e não dá muita importância às ofertas iniciais do oponente.
Quadro de referência
A maneira como as informações são apresentadas geram influência. Sandro pedia que seus seqüestrados (naquela situação, liderados) fingissem um medo maior do que eles realmente sentiam.
Disponibilidade das informações
Os negociadores se apóiam em informações disponíveis de imediato e acabam ignorando dados mais relevantes. Fatos e eventos que ocorre com freqüência são lembrados com facilidade. Os negociadores eficazes aprendem a distinguir o que é emocionalmente familiar daquilo que é relevante e digno de crédito.
Maldição do vencedor
É uma sensação de remorso que surge após a conclusão da negociação. O vencedor acredita que poderia ter tirado mais proveito da situação.
Superconfiança
Quando adotamos certas expectativas e convicções, as pessoas tendem a ignorar qualquer informação que possa contradizê-las.

"Traços de personalidade, segundo estudos, não influenciam em momentos de negociação. O fator relevante é a cultura do indivíduo".

Textos de apoio
Eram dezenas de pessoas. Repórteres, cinegrafistas, fotógrafos e curiosos se amontoavam para acompanhar o que estava acontecendo. O "espetáculo" era visto também, ao vivo, em todo o país, graças às lentes e aos microfones lá colocados. Até as imagens das câmeras de monitoramento da Central de Trânsito foram utilizadas na tevê. Tudo foi devidamente mostrado. Todos os ângulos, gestos, palavras e atitudes, assim como num filme.Como num bom filme, havia um bandido que liderou o seqüestro. Ele, aos seis anos de idade, filho de pai desconhecido, viu a mãe ser degolada. Foi morar na rua. Quando adolescente, sobreviveu à chacina da igreja da Candelária, no Rio de Janeiro. Chegou a ser preso por várias vezes, mas sempre fugia. Ele era conhecido por uma característica que marcava sua face: Mancha. Para completar o roteiro do filme, um ônibus com trabalhadores e estudantes foi seqüestrado e a polícia parecia incapaz de lidar com uma situação até então incomum: um seqüestro com reféns, transmitido ao vivo.Quem assistiu ao filme "O quarto poder", com John Travolta, pode pensar que a história acima se trata de um plágio. Alguma vez você já ouviu a frase: "a vida imita a arte?" ONIBUS 174 é exatamente isto. O documentário relata o incidente de 12 de junho de 2000 no Rio de Janeiro que culminou com a morte do seqüestrador Sandro do Nascimento e de uma das reféns, Geísa Gonçalves, com tiros disparados pela própria polícia e pelo bandido. Com imagens das emissoras de televisões e gravações próprias, o diretor José Padilha constrói uma narrativa dupla que mostra o desenrolar do seqüestro e a trajetória pessoal de Sandro intercalados com depoimentos. A família, a tia e alguns amigos são entrevistados, além de policiais que participaram da operação (um com o rosto coberto devido à proibição de dar entrevistas por parte do batalhão), alguns reféns, o viúvo da vítima e até, um assaltante "profissional".O filme é um soco no estômago, pois mostra uma realidade de sofrimento e violência que beira o surreal. Na ocasião do lançamento do filme, um repórter da Folha de S. Paulo resumiu o sentimento do filme: "Não há roteirista, por mais delirante que seja, capaz de imaginar uma história tão absurda, cruel, dolorosa e tragicamente humana. Mais uma vez a realidade superou de longe a ficção".
Fonte http://www.social.org.br/relatorio2000/relatorio009.htm

O Rio de Janeiro foi palco de um incidente emblemático em 12 de junho deste ano, quando o país assistiu pela televisão o drama do seqüestro do ONIBUS 174, no Jardim Botânico, Zona Sul do Rio de Janeiro. Esse incidente ilustra não só a violência nos centros urbanos, mas também a má atuação da polícia e a manipulação do debate público. Sandro do Nascimento - sobrevivente da chacina na qual oito jovens moradores de rua foram assassinados na praça da Candelária, no Rio de Janeiro - tentou assaltar um ônibus, foi cercado pela polícia, e acabou tomando os passageiros como reféns. O país assistiu a cenas de horror: o rapaz enfurecido, apontando uma arma para as cabeças dos reféns, dominando-as pelo medo, e principalmente para uma jovem chamada Geísa. Ao final do incidente, um policial saiu atirando em direção de Sandro, mas em vez de acertá-lo, acabou ferindo Geísa com um tiro de raspão. Essa atitude levou Sandro a atirar três vezes, matando a refém. Afinal, ele estava com a arma em punho e com o dedo no gatilho, sendo inevitável o disparo. As câmeras de TV também registraram a última imagem de Sandro, ainda vivo, sendo atirado em um camburão. No dia seguinte, a morte de Sandro foi revelada e, segundo o laudo médico, constatou-se que os policiais o estrangularam dentro do camburão, a caminho do hospital Souza Aguiar.
A primeira questão levantada sobre esse incidente refere-se à falta de segurança da população, particularmente dos setores mais pobres e da classe média que utilizam transporte público. Em segundo lugar, verificou-se a falta de preparo da polícia, a falha da negociação, situações que culminaram na morte da refém. Além disso, esse caso ilustra a brutalidade policial, demonstrada pelo assassinato do assaltante a sangue frio. Esse tipo de atitude, por parte da polícia, é incentivada, com a certeza da impunidade. Finalmente, esse caso representa a situação de abandono e falta de perspectiva das crianças e adolescentes que vivem nas ruas.
Outro aspecto do caso praticamente esquecido pela mídia foi o acompanhamento do inquérito contra os cinco policiais envolvidos no homicídio. Entidades de direitos humanos têm denunciado a violência policial como prática comum em todo o país. Uma prática comum adotada pela polícia, após cometer homicídios, é levar o corpo da vítima a um hospital, como forma de evitar o trabalho de perícia e investigação.
Uma semana depois do incidente, o governo federal lançou o Plano Nacional de Segurança, enfocando principalmente medidas pontuais, como melhorar a iluminação da cidade. O Plano incluía também o controle de armas, mas essa medida não foi aprovada pelo Poder Judiciário. Nenhuma medida tratava da reforma das polícias ou de questões sociais.
Esse incidente gerou uma série de manifestações, culminando com a grande passeata "Basta, Eu Quero Paz", organizada no Rio e reproduzida com enfoques variados em outras capitais. Essa manifestação contou com o apoio de alguns setores da sociedade civil e dos meios de comunicação, incluindo a Rede Globo. A passeata acabou por adquirir um caráter despolitizado, sem reivindicações específicas. As pessoas saíram às ruas vestidas de branco, com uma vela na mão, para denunciar "a violência". Não se identificaram os responsáveis pela violência e nem se sabia para quem estavam pedindo "paz". Portanto, perdeu-se a oportunidade de pressionar o governo a adotar medidas concretas e efetivas.
Fonte http://pt.wikipedia.org/wiki/Ônibus_174

O seqüestro ao ônibus 174 é um episódio marcante da crônica policial do Rio de Janeiro, no Brasil. No dia 12 de Junho de 2000, o ônibus da linha 174 ficou detido no bairro do Jardim Botânico por mais de 4 horas, com dez reféns, sob a mira de um revólver empunhado por Sandro Barbosa do Nascimento.
Ao entrar no ônibus, Sandro só pretendia cometer um assalto. Algo, entretanto, deu errado e ele acabou ficando preso dentro do ônibus com suas reféns, todas do sexo feminino.
Dentro do ônibus com a tensão aumentando, e do lado de fora com as redes de televisão acompanhando o evento, o Brasil praticamente parou.
Um dos momentos de maior tensão foi quando Sandro andou de um lado para o outro com um lenço na cabeça de uma de suas reféns, contando de 1 a 100. Ao chegar no número cem, fez a refém se abaixar e fingiu dar-lhe um tiro na cabeça.
Após alguns minutos de tensão e diálogo entre os reféns e Sandro, o assaltante, decide descer do ônibus, com uma refém para sua proteção. Ao descer, Sandro foi o abordado por um policial precipitado, que acabou errando o tiro, acertando à queima roupa a cabeça de Geísa Firmo Gonçalves, garota de 20 anos, que morreu instantaneamente. Geísa acabou também levando outros tiros em seu peito, disparados por Sandro, após já estar morta.
Com seu refém ao chão, Sandro foi logo imobilizado pelos policiais (evitando o linchamento da população presente no local), colocado na viatura, com outros cinco policias juntos, segurando-o. De acordo com a polícia do Rio, Sandro se portava de comportamento nervoso e agressivo, chegando a quebrar um braço e morder a um policial.
No caminho, Sandro foi morto e asfixiado pelos militares dentro do carro. Os policias que mataram Sandro Barbosa do Nascimento foram levados à justiça, considerados inocentes em um Júri popular.
Entre os episódios mais impiedosos com o nó da garganta estão as lembranças à chacina da Candelária, da qual Sandro, ainda moleque, foi um sobrevivente, e quando ele, também ainda moleque, viu a mãe morrer degolada.
É sempre uma linha tênue e perigosa a que mistura o mocinho ao bandido. O filme de Padilha segue exatamente por essa corda bamba. De qualquer forma, não será você, nem o policial que matou Geísa, nem os que asfixiaram Sandro ou qualquer outra pessoa que irá julgar os envolvidos. Julgamentos podem cair no conflito do "bem x mal", e isso é coisa de cinema de ficção. Não confunda, Ônibus 174 é de realidade.
Fonte: "http://pt.wikipedia.org/wiki/Ônibus_174

Policiais envolvidos no caso do ônibus 174 vão a julgamento no Rio
O julgamento dos policiais militares Ricardo de Souza Soares, Flávio do Val Dias e Márcio de Araújo David, acusados de homicídio no caso do ônibus da linha 174, no Rio de Janeiro, teve início nesta terça-feira. Eles foram processados pela morte de Sandro do Nascimento, que manteve passageiros como reféns durante quatro horas, no dia 12 de junho de 2000. A causa da morte de Sandro foi asfixia, provocada dentro de um camburão da corporação.
Os acusados alegam que não tinham intenção de matar Sandro. Eles afirmam que imobilizaram o garoto com uma gravata porque ele estava muito violento. A defesa será baseada nas imagens das televisões e no documentário 'Ônibus 174', de José Padilha, que trata do assunto.
Fonte: Revista ÉPOCA
Policiais acusados de matar assaltante do ônibus 174 são absolvidos
Os policiais acusados da morte do seqüestrador do ônibus 174, Sandro do Nascimento, em junho de 2000, foram absolvidos na manhã desta quarta-feira por quatro votos a três. Parentes dos três policiais - o capitão PM Ricardo de Souza Soares e os soldados Flávio do Val Dias e Márcio de Araújo David - se abraçaram bastante e choraram assim que a juíza Maria Angélica Guedes leu a sentença. O Ministério Público recorreu da sentença esta manhã. O apelo foi feito verbalmente logo após o término do julgamento. A promotoria tem agora oito dias para fazer a fundamentação. Em 12 de junho de 2000, Sandro do Nascimento manteve passageiros de um ônibus da linha 174 como reféns por mais de quatro horas. Depois de ser dominado pelos policiais, Sandro foi morto por asfixia no interior do camburão do Batalhão de Operações Especiais da PM. A ação policial para libertar os reféns, na hora em que o ladrão ia se entregar, acabou provocando a morte também da professora Geísa Firmo Gonçalves.
O soldado Marcelo Oliveira dos Santos foi quem fez o disparo que matou a refém, com uma submetralhadora calibre 9mm. Ele e o tenente-coronel José de Oliveira Penteado, comandante do Batalhão de Operações Especiais (Bope) na época, foram inocentados antes da abertura de processo. Traumatizado com o episódio, Marcelo dos Santos passou por um tratamento contra depressão.
O julgamento durou mais de 20 horas, e foi marcado por intensa discussão entre o promotor público Afrânio Silva Jardim e o advogado de defesa Clóvis Sahione. O advogado defendeu a tese de que os policiais não tinham a intenção de matar Sandro. Ele alegou ainda que o morto era um bandido que manteve durante mais de quatro horas o Rio de Janeiro parado e também aterrorizou os passageiros do ônibus 174. Já o promotor, apesar de pedir a condenação dos acusados, alegava que os policiais agiam sob forte emoção. Diante disto, ele reivindicava pena de quatro anos, o que evitaria aos policiais a perda da farda.
Os policiais militares acusados de homicídio qualificado no caso do ônibus da linha 174, há mais de dois anos, negaram nesta terça-feira, no 1º Tribunal do Júri, no Rio, que tivessem a intenção de matar o assaltante Sandro do Nascimento.
Diante da juíza Maria Angélica Guedes, eles confirmaram que imobilizaram Sandro dentro do camburão. Mas, segundo os policiais, o assaltante estava extremamente agressivo e essa foi a única maneira de mantê-lo sob controle. Os PMs disseram que aplicaram uma 'gravata' em Sandro, passando o braço pelo pescoço e empurrando o queixo para cima, para evitar que fossem mordidos. Eles garantiram que não tinham a intenção de matar. O capitão Ricardo contou que pensava que Sandro estivesse desmaiado e só depois foi informado de que o bandido morrera. O advogado de defesa dos policiais, Clovis Sahione, dispensou suas duas testemunhas: o tenente-coronel Venâncio Alves Mouro e o capitão Eduardo Sarmento da Costa. Sahione disse preferir que os jurados assistissem ao documentário 'Ônibus 174', do diretor José Padilha, em vez de ouvir os depoimentos dos oficiais. A Promotoria, entretanto, manteve as três testemunhas de acusação: Edson Luiz de Matos, Jalmir de Freitas e José de Oliveira Penteado.
Fontes extras: "Fundamentos do Comportamento Organizacional", de Sthephen Robbins e Documentário "Ônibus 174".
Fonte: Revista ÉPOCA - Ana Carolina Torres, do Extra, e CBN.
Questão escolha simples:
Quais destes itens mais se relaciona ao comportamento de Sandro durante a negociação?
a) Disponibilidade das informações/Mito do montante fixo
b) Escalada irracional do comprometimento/Ancoragem e ajustes
c) Quadro de referência/ Escalada irracional do comprometimento
d) Superconfiança/Quadro de referência
e) Maldição do vencedor/Mito do montante fixo
Sandro foi um sobrevivente. Qual fato marcou mais a sua infância?
a) A chacina de Vigário Geral, da qual saiu ileso.
b) Ver a mãe ter sido degolada quando tinha 6 anos.
c) Ter sido preso inúmeras vezes.
d) A recuperação das drogas.
e) A morte dos amigos pela violência.
Questão dissertativa:
Qual teria sido o melhor meio de intervenção policial para uma negociação mais proveitosa e com sucesso?

Se considerarmos Sandro um líder naquele momento, quais as bases de poder que ele utilizou para manter sua "equipe" coesa?

Comments:
Oi!
Meu nome é Olinda e eu estou fazendo um trabalho no qual tenho que analisar a negociação conduzida pela polícia nesta crise. No entanto, não estou conseguindo ter acesso a informações sobre o processo de negociação. Será que vocês sabem onde eu posso encontrar essa informação?!

Muito obrigada!
 
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