terça-feira, julho 25, 2006

Liderança em foco: lições da Copa

"Eu sou as minhas derrotas"
Darci Ribeiro
Certamente esse não será o único texto que surgirá das teclas de computadores brasileiros sobre as lições que podemos tirar ao final da participação do Brasil na Copa do Mundo 2006. Tão pouco pretende tratar de atuações dentro do campo - a intenção é refletirmos exatamente sobre o que se passou fora dele nas instâncias da arte da liderança de equipes.
Permita-me transcrever dois parágrafos de um artigo que escrevi no dia em que se iniciou a Copa (09/06) e cujo título foi "Treinar ou Desenvolver, Eis a Questão!" - naquele artigo, a copa foi apenas um mote para inserir o tema.
Em época de Copa do Mundo, com ares de Show de Rock, transmissões diárias e programas esportivos de hora em hora, numa mistura de big brother da vida dos jogadores em dias de folgas e boates, temos visto que até os treinos da Seleção Brasileira são assistidos por milhões de espectadores de todo o mundo, inclusive pelos nossos adversários.
... não resisto a voltar à Seleção e uma dúvida que estou - estaríamos treinando sob as câmeras para um torneio ou uma festa? - (daqui a 30 dias vamos saber...).
A resposta à questão acima, nos foi dada neste dia 01/07/06, ou seja, 22 dias depois. Definitivamente o Brasil não estava treinando para ou com espírito de competição... Eram mesmo ares de Show de Rock o que víamos diariamente nas televisões aberta e fechada, a nossa Seleção era uma delegação de verdadeiros pop stars.
Estrelas patrulhadas por paparazzi, entrevistas, fotos, boletins tomando todo o tempo dos noticiários televisivos, como se aos brasileiros nada mais interessasse, como se o ópio do futebol temperasse o país da pizza e pudéssemos dizer ao mundo que o Haiti é bem longe daqui...
Bancos, refrigerantes, desodorantes, todos querendo os nossos jogadores, até o nosso técnico, que nunca jogou futebol bateu uma bolinha com um boneco de operadora de telefonia, o seu coordenador (?) técnico vendeu carro; tudo, tudo estava associado à imagem dos nossos super-heróis, era uma festa mesmo!
Uma verdadeira "sociedade do espetáculo", onde via de regra "se você me der o supérfluo eu abro mão do essencial", como diz o filósofo Saja.
O essencial ou os nossos treinos (?) eram "rachões" de um contra outro, malabarismos com a bola mostrados diariamente para o mundo, afinal de contas "Brasil Campeão tem 13 letras!".
O nosso treinador dizia sempre que "não tínhamos que nos preocupar com adversários, o Brasil iria impor o seu jogo e os outros que se preocupassem com o Brasil".
Questão 1 - Será que não confundiram auto-estima com auto-suficiência ou prepotência? Antes mesmo da "anunciada" derrota para a França (afinal tivemos pela frente um adversário), ouvimos alguns depoimentos de jogadores da seleção durante a semana do jogo que chamaram a atenção:
"A gente não agüenta mais nem olhar para a bola".
"São 38 dias juntos, já estamos cansados da rotina e de olhar para as mesmas caras".
Questão 2 - Será que não faltou a construção de uma Visão a ser perseguida por todos, um objetivo comum que fosse maior que a enfadonha rotina de treinos que reforçavam apenas habilidades pessoais das estrelas? Recordes pessoais era a preocupação: o jogador que mais jogou, o que fez mais gols em copas, o que participou de mais finais e claro, a preservação dos lugares na equipe principal, afinal os seus patrocinadores estavam acompanhando tudo...
O Psicólogo e Consultor americano Will Schutz, reconvocado pela Marinha Americana (USA, guerra da Coréia), participou de um estudo sobre produtividade de equipes e nos deixou algumas premissas testadas quanto à produtividade:
- Harmonia aumenta sob pressão - Objetivo Comum - Diversidade de tipos psicológicos - Relacionamentos - abertura e confiança.
Questão 3 - Será que a baixa produtividade da nossa equipe, não passou justamente pela ausência de algumas dessas questões? O sentido de equipe, aquela doação de cada um para o grupo, ou mesmo aquela visão de uma orquestra que "joga bonito", porque cada um toca com o amor o seu instrumento, jamais foi percebida e talvez seja essa a maior frustração da torcida brasileira.
Já vimos equipes que se doam saírem derrotadas e aplaudidas pelas torcidas.
A vitória é resultante da química produzida pelo líder e sua equipe, seja nos gramados ou nas empresas, mas existe algo fundamental para que essa química aconteça: Comprometimento.
Mas como bem disse Darci Ribeiro "eu sou as minhas derrotas".
E a derrota é mãe cuidadosa, deixa sempre valiosas lições.
Vejam que ironia - "Derrota Ensina" tem 13 letras...*
Fonte: Editorial de Antonio Amorim no site HSM On-line em Liderança e Negociação

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